Viagem Recife – Ida – Segundo dia

Segundo dia de viagem. Caminho novo e com muita disposição acordei cedo. Antes das 6h da manhã já estava na estrada e já comecei a perceber na paisagem dois elementos que me acompanhariam dali em diante pelo resto da viagem: as turbinas eólicas, muito comuns nessa região do Nordeste, e a vegetação da caatinga:

Long way

Amanhecendo no sertão

A região da Chapada Diamantina se apresentou belíssima a mim com suas paisagens com esses paredões de pedras:

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Depois de rodar 200 km nesse dia, uma pausa pra um típico café da manhã nordestino na cidade de Seabra.

Café da manhã nordestino

Café da manhã nordestino

Encontrei nesse lugar do café da manhã um senhor que fez questão de vir falar comigo quando viu que minha moto era de Brasília. Muito simpático ele puxou papo e foi falando de como adora Read more »

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Viagem Recife – Ida – Primeiro dia

Antes de sair de Brasília, eu pensava que esta viagem de moto a Recife seria um divisor de águas na minha vida. Hoje, na minha última semana na capital pernambucana, vejo que eu estava certo. Muitas coisas que aconteceram neste período de um mês me fizeram crescer tanto pessoal quanto academicamente. É, eu sei que é estranho começar um relato com um parágrafo em tom conclusivo, mas é só para que você, amigo leitor, tenha uma ideia do que essa viagem representou pra mim e leia tudo o que eu escrevi daqui pra baixo com um olhar mais amplo.

Independentemente do fim, toda viagem começa pelo começo. Portanto, vamos à motivação.

Porque Recife?

Saindo de casa

Saindo de casa

Quem já leu os primeiros posts do meu site sabe que a minha paixão pelas motos foi decisiva na escolha pelo curso de Engenharia Mecânica. Era meu sonho projetar essas máquinas e, na minha inocência de adolescente, bastaria cursar Read more »

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O jeito motociclista de ser

Quando as sombras das árvores.
Plantadas à beira da estrada.
Vão se acompridando sobre o asfalto negro.
Como quem repousa após mais um dia de trabalho duro.
Sob sol a pino.
Num processo árduo de fotossíntese diária.

Quando o sol vai se pondo.
Projetando no topo das serras.
Seus últimos raios de despedida daquele dia.

Quando isto acontece eu sei que é hora de parar.

Encostamos, eu e minha moto, numa cidadezinha qualquer.
Humildemente pedimos acolhida.
E humildemente somos acolhidos.

Pousada, hotel, casa de família, ou apenas um cantinho para passar a noite.
Não importa.
O importante é que, tal qual aquelas árvores, poderemos  repousar após um longo dia de estrada.

Eu pego uma cadeira de macarrão (daquelas tecidas pelo Seu Osório ali da esquina, perto do Açougue do Tião), sento à frente da estadia e fico a observar.

E eu observo os passos apressados dos trabalhadores em direção às suas casas.
Depois de um dia inteiro de trabalho, o que lhes aguarda? Um carinho da esposa/esposo, um pulo no colo da filha, um afago da vó… ou tão somente uma cama confortável para descansar?

Confrontando com as pernas finas dos trabalhadores tem as rodas grandes dos caminhões que, mesmo a noite e sem nenhuma cerimônia, continuam a atravessar a pequena cidade a qualquer horário e com qualquer barulho, sem pedir licença na entrada nem dizer obrigado na saída.

Quando chega a noitinha, a cidade toma outra forma: é hora dos abraços e cumprimentos nos bares, das mãos dadas e beijos apaixonados na orla do rio, dos estalos das peças de dominó nas mesas da pracinha central, dos mais velhos reclamando da juventude e da juventude reclamando dos mais velhos.

E eu, ali na cadeira de macarrão, continuo a observar.

Observo o cachorro que vai devagar.
O homem que vai devagar.
O burro que vai devagar.
Naquela vida besta, meu Deus.

Isso é fascinante.

É fascinante como aquela cidadezinha, antes apenas um ponto no meu mapa, se revela cheia de vida quando vista de dentro.
A cidade estática tem uma vida dinâmica.

Já é tarde. Hora de devolver a cadeira da Dna Maria, agradecer ao Seu Zé pela boa proza (incrível como os idosos têm sempre histórias interessantes pra contar) e “entrar pra dentro mode discansá”.

Eu não quero ser intruso neste sistema. Muito me satisfaz poder apenas observar. Gosto de passar inerte a tudo isso.

Saio no outro dia bem cedo, antes do sol.
E deixo para trás tudo aquilo.
A cadeira de macarrão.
A proza boa do Seu Zé.
A hospitalidade barata da Dna Maria.
As mãos, os beijos, as peças de dominó na pracinha central.
Deixo pra trás toda aquela vida besta, meu Deus.

E quando o sol aparece, traz consigo novamente as sombras das árvores.

Para as árvores, é o início de mais um divino processo de fotossíntese.
Para a cidade, o início de mais um mundano processo de rotina.
E pra mim e minha moto, mais um dia de viagem.
Simples assim.
Nada divino.
Nada mundano.
Nada rotineiro.
Apenas o jeito motociclista de ser.

Nos vemos na estrada o/

Nos vemos na estrada o/

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Viagem Montes Claros – Volta

Depois de ter pilotado por quase uma hora durante a noite, meu capacete acumulava tanto inseto na viseira que eu fiquei me perguntando se viajar de moto pode ser considerado ecologicamente incorreto um dia.

Insetinho, insetão. Tem de todos os tipos.

Insetinho, insetão. Tem de todos os tipos.

Mesmo cansado da viagem decidimos sair pra conhecer a cidade. Montes Claros é cheia de ladeiras e o asfalto é muito irregular. Péssimo pra andar de esportiva. Além disso ele tem um “brilho” que denuncia pouca aderência. Parece que passaram verniz no asfalto. Por sorte a Mari ficou descansando em casa e fomos de táxi. Comemos Read more »

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Viagem Montes Claros – Ida

O Eu & Minha Moto passou por um (longo) período inativo graças à incompetência do antigo serviço de hospedagem, o UOL Host. Depois de muita luta e contando com a enorme colaboração do meu amigo Leonardo Lourenço, consegui recuperar o conteúdo do site e aos poucos vou colocando aqui de volta os posts, fotos e comentários.

E pra inaugurar o “novo” site, nada melhor que uma viagem com uma nova moto, não é mesmo?

Depois de pegar a Mari na terça feira, dia 14 de maio, eu já estava ansioso para viajar com ela. Ficava imaginando como seria pegar a estrada de Ninjinha. Seria tão desconfortável mesmo como diziam? A carenagem faria mesmo diferença? E o desempenho nas subidas? E o consumo?

Por sorte todas essas perguntas seriam respondidas em breve, pois por pura sorte um feriadão se aproximava: Corpus Christi. De quinta a domingo sem aula e sem trabalho. Perfeito.

Procurei no mapa algum destino interessante e nas opções que surgiram estava Montes Claros, em Minas. Coincidência ou não, uma amiga minha de infância, que eu não via tinha 12 anos, morava lá. Algumas ligações depois e estava definido o destino da minha primeira viagem com a Mari.

Pra pegar a estrada limpinha

Pra pegar a estrada limpinha

A ansiedade crescia à medida que a data da viagem se aproximava. Até que chegou a quarta feira, véspera da partida. Como manda o manual, lavei a moto e dei uma geral nos equipamentos. Só que, enquanto lavava a moto, eu tive a infeliz ideia de pedir pra polir a viseira do meu capacete na esperança que os riscos sumissem. Logicamente a ideia de girico não deu certo e a viseira ficou inutilizada. Eram duas e meia da tarde de uma véspera de feriado. Eu tinha menos de quatro horas pra varrer a cidade atrás de uma viseira para o meu Bell Star. Como não encontrei nada, a solução foi viajar com um NoRisk que havia comprado duas semanas antes. A princípio não pareceu um problema, a não ser pelo fato dele ser dois números menor que a minha cabeça.

E chegou a Read more »

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A última viagem – Parte II

Segundo dia de viagem!

Acordei mais tarde do que desejava porém, mais descansado. Moto abastecida e era hora de partir rumo ao Piauí, que não demorou muito a chegar, já que Formosa do Rio Preto era a última cidade da BA na BR-135.

Divisa BA-PI

Corrente - PI

Da divisa até a cidade de Gilbués (PI) foram 125 km de muito calor e asfalto ruim. No caminho passei por uma cidade chamada Corrente e até olhei no mapa pra ver se tinha alguma outra cidade chamada Coroa ou Pinhão por perto mas não achei.

(Ok, essa foi horrível. Vamos em frente…)

Em Gilbués parei pra descansar um pouco, tomar uma água e dar uma olhada no mapa. O que eu vi não foi lá muito animador. Para entrar no Maranhão eu tinha duas opções: encarar uma estrada de Read more »

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A última viagem – Parte III

Terceiro dia de viagem! Mas ao acordar eu ainda estava vivendo o segundo, lembrando de como foi divertido o dia anterior e de como eu não tenho mesmo um pingo de juízo na cabeça (que minha mãe não leia isso).

Nada como uma boa noite de sono para botar de volta a coluna no lugar!

Hoje seria o dia que eu finalmente conheceria as famosas cachoeiras do sul do Maranhão. Apesar de estarem praticamente ali no quintal de casa eu nunca tinha tido a oportunidade de visitá-las. Assim como também nunca visitei os Lençóis Maranhenses.

Mas antes de chegar nas cachoeiras, uma pausa para uma justa homenagem ao narrador desta história:

Alto, Bonito e modesto

Depois do momento narcisista, vamos ao que interessa.

As primeiras cachoeiras visitadas foram as cachoeiras gêmeas de Carolina. Elas são assim chamadas porque são idênticas (ah vá! é mermo?). Elas ficam nas proximidades de uma cidadezinha chamada São João das Cachoeiras.

O lugar é legal. Dá pra tomar uma cervejinha ao pé das cachoeiras e, claro, tomar um bom banho debaixo delas. Mas confesso que esperava mais.

Cachoeiras gêmeas.

Depois de tirar as fotos liguei para um tio que já havia visitado o lugar e ele me sugeriu visitar um local chamado “Pedra Caída”. Segui viagem meio que pensando se valeria a pena mesmo parar pra ver só mais algumas cachoeiras de longe como foram as primeiras. Mas eu estava com tempo. Ainda era meio dia e a cidade de Imperatriz, minha próxima parada, estava logo ali, a 220 km.

Ao chegar no local já deu pra notar uma estrutura muito mais bem-montada, com recepção, estacionamento tudo certinho. Paga-se um valor para entrar (algo como 15~20 reais por pessoa), que dá direito ao banho nas piscinas naturais (são 2 ou 3, não me lembro direito). Estando lá dentro pode-se pagar mais um valor pra realizar as outras atividades do complexo. E são muitas. Arvorismo, tirolesa, rapel, escalada, trilhas. Tem pra todos os gostos!

Algumas fotos do local:

Arvorismo

 

Tilhas

 

Piscinas naturais

O que mais me impressionou dentre as opções do complexo foi a tirolesa. Há uma pequena, de 600 m, uma média, de 800 m de comprimento e uma gigante, cujo comprimento me foge à memória agora mas que é da ordem de quilômetroS de comprimento, além de uma altura de 200 metros até o chão.

Tive que usar meus avançados conhecimentos de photoshop para evidenciar o cabo e a saída da tirolesa na foto abaixo:

O vídeo abaixo dá uma ideia de como é a descida desse negócio. (assista em HD pra conseguir ver o homenzinho pendurado no cabo)

Eu encaro uma viagem de 5 mil km de moto tranquilamente, mas não me peça pra encarar qualquer coisa que tenha uma altura maior que minha beliche. Definitivamente altura não é a minha praia.

Resolvi que iria visitar uma das cachoeiras do complexo, chamada Santuário, mas a logística do momento não ajudava: moto carregada de bagagem, calça, bota, jaqueta, luvas, capacete e mais uma porção de apetrechos nos bolsos. Nada que uma conversinha com a mulher da recepção não resolvesse. Roupa de banho? A bermuda de ciclista que eu usava por baixo da calça! Deixei minhas coisas sob a vigilância deste valente cão de guarda (que também aguardava na recepção pela volta de seus donos) e fui para o passeio.

Para chegar à cachoeira é preciso seguir uma trilha que vai descendo mata adentro. São uns 30 minutos de caminhada até chegar no Santuário. As paisagens pelo caminho da trilha davam uma mostra do que viria pela frente:

Trilha que leva ao Santuário

Água cristalina

Paisagens fantásticas

Antes de chegar no Santuário, uma pausa pra se refrescar nessa queda d’água.

Seria o Eduard, do Crepúsculo se desmanchando por causa do sol?

Ao chegar na cachoeira uma pequena decepção: não seria possível tirar fotos ou fazer vídeos, pois a cachoeira fica no final de um corredor de paredes altas de pedra de modo que a queda d’água gera um spray e um vento que tornam impossível usar uma máquina sem molhar.

Mas pra não ficar só na vontade, roubei algumas fotos da internet pra vocês terem ideia de como é o lugar:

 

Estar ali debaixo daquela cachoeira e lembrar de como o dia anterior foi difícil, de como eu estava próximo do meu destino e de como aquela viagem estava sendo exatamente o que eu queria que fosse (inesquecível) foi emocionante.

Foi um banho de cachoeira para lavar a alma. Literalmente.

Na volta da cachoeira seguimos por uma outra trilha que passava pro uma ponte suspensa de madeira.

A vista lá de cima da ponte.

Fim do passeio!

Let’s hit the road again!

Enquanto percorria os últimos quilômetros de mais um trecho de viagem era impossível não lembrar do que eu acabara de experimentar. As imagens, os sons, os cheiros. A verdadeira essência de uma viagem de moto é isso: você se sente REALMENTE inserido na natureza à sua volta. Você sente o frio quando chove, o calor quando faz sol, você sente o vento querendo te arrancar de cima da moto, vê os insetos explodindo na sua viseira e ainda acha graça de tudo isso. Coisas que só quem já experimentou consegue entender.

Quem leu minha primeira viagem ao Maranhão lembra dessa placa, de um rio chamado Rio Feio. Pois é, acabei encontrando o filho dele, o Riacho Feio que, a exemplo do pai, de feio mesmo não tem nada:

Tadinho do riacho...

...que de feio não tem nada...

...além de bullying é uma tremenda injustiça.

Ao chegar na cidade de Estreito, bem na divisa com o Tocantins, parei pela última vez antes do meu destino final daquele dia e comecei aquela tradicional reflexão, olhando pra Prima e pensando em tudo que aconteceu naqueles 3 dias de viagem e em tudo que ainda estava pra acontecer nesta que estava sendo a nossa última viagem  juntos e já era de longe a mais legal de todas.

E qual não foi a minha surpresa quando um ônibus estacionou bem atrás da Prima com o nome dela estampado bem na sua lateral:

"Prima" Tur

Era muita coincidência pra ser só coincidência. Não restava mais dúvidas: a Prima era de fato uma moto especial.

Os 125 km que separam a cidade de Estreito (MA) de Imperatriz (MA) passaram voando e às 5 horas da tarde eu já estava descansando no colo da minha tia linda que me recepcionou em frente à sua locadora de DVDs.

Tia Lili

1700 km rodados e muitas histórias pra contar. Mas esta viagem ainda está longe do fim.

Aguardem a Parte IV, em breve.

Nos vemos na estrada o/

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A última viagem – Parte I

Não, você não leu errado. Este é o último relato que vocês verão por aqui de viagem com a Prima. As razões que me levaram a vender a Prima são assunto para outro post. Portanto, vamos ao relato da melhor viagem da minha vida.

Bagagem

Dia 26 de dezembro de 2011. “Malas” prontas, moto revisada e roteiro na cabeça. Como de costume minha bagagem foi bem sucinta. Roupas, mapa, documentos e pronto. Até porque Read more »

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III Encontro Nacional de Hayabusas – Gramado

No último fim de semana aconteceu em Gramado (RS) o III Encontro Nacional de Hayabusas. O evento, organizado pela Confraria da Hayabusa, acontece anualmente sempre em uma cidade diferente. A primeira edição aconteceu em Curitiba (PR), a segunda em Florianópolis (SC) e esse ano foi a vez da bela cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul receber os fãs da Hayabusa.

III Encontro Nacional de Hayabusas

A Vanessa, do Moto com Batom, e eu fomos Read more »

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Inclinação única

Meu primo Bráulio é realmente apaixonado pela sua moto, a Prima. E, como todos sabem, a paixão afeta assim a forma de ver as coisas deixando o mais simples dos fatos, algo digno de admiração.
Pois bem, estávamos nós dois no estacionamento embaixo do meu prédio em um dia pouco depois de ter casado com a Prima. Ele olhou assim à meia distância a sua moto e disse meio encantado, quase babando: Read more »
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